Sunday, January 15, 2006

Última Mensagem

Homem chega em casa. Em sua mãos, uma pasta preta e alguns papéis. Sua face cansada está marcada por olheiras, ele não dorme há dias. A chave em sua mão faz barulho conforme ele destranca e adentra a casa, nota-se um relógio em seu braço esquerdo. A camisa amarelo-claro está amassada, a antes bela jaqueta preta de seu terno está com uma mancha escura no peito. O homem anda depressa, atira a gravata no sofá, derruba sua pasta ao lado de deu minibar e vai até uma pequena mesa onde se encontra seu telefone. Ele joga as chaves sobre a mesa e no mesmo movimento aperta o botão da secretária eletrônica. "Três novas mensagens" responde a máquina, com o monotom característico que nos infla de terror.

"Primeira nova mensagem." O homem prossegue até o banheiro, uma porta ao lado da mesinha, retira a jaqueta e puxa para fora da calça sua camisa. De dentro da jaqueta surge sua pequena nove milímetros, preta e brilhante. Nunca fora usada. Ele coloca com cuidado a arma, seu prêmio, reliquia, sobre a pia. "Olavo, é o Breno, meu velho. Cara, eu liguei pra saber como tu andava, tô sabendo de umas tretas fortes aí. Faz o que, uns dois meses que a gente não conversa, não é?". Olavo, olhando para o espelho, automaticamente move a cabeça para cima e para baixo, em sinal de concordância, e na seqüência abre a gaveta da pia e pega algumas aspirinas. Seus olhos estão tingidos de vermelho-sangue. "Então, a gente poderia sair sexta. Conversar um pouco, não sei meu. Olha, e os duzentos paus que tu tava me devendo, bem cara, eu to precisando, mas... ó, por ora deixa quieto. Me liga." Ele ingere as aspirinas à seco, vira-se para o vaso, abre a braguilha com uma mão e segura a camisa com a outra, arrebentando um botão.

"Segunda nova mensagem." Olavo vira pro espelho, dá alguma atenção para o botão, depois arranca a camisa arrebentando todos os outros, e a atira dentro do vaso. Olha para o espelho, volta semí-nú para a sala. "Olavo, é a mamãe. Meu filho, você precisa falar com alguém. O Cadu me ligou outro dia, disse que você não responde as ligações dele, que o pessoal do serviço falou que você tá mais calado que uma porta lubrificada e que não tem nem ao menos comido direito. Dizem que você se parece com um fantasma. Eu sei que você é muito inteligente meu filho e sei que esta situação é muito difícil mas voc--". Olavo pega uma garrafa de uísque de oito anos do seu minibar, pela metade. Serve uma dose, e olha para a janela. A máquina da obra da frente começa a funcionar de novo, seu creeek-creeek continúo infestando o ar, matando os vizinhos de ódio. O ar fica pesado com o som infernal. Por debaixo da porta entra uma pequena carta com carimbo vermelho. Olavo atira todo seu uísque sobre ela, sem tomar, e se levanta.

"Terceira nova mensagem." Olavo vai até a cozinha, o pequeno espaço separado da sala onde se encontra sua geladeira, e a abre. Um leite azedo está na primeira prateleira, um salame fatiado na segunda e o restante de uma pizza de segunda-feira na terceira. Olavo pega um pedaço da pizza e rásga-a com os dentes. "Olavo, é... sou eu. Ahn..." Seu olhos agora estão também manchados com lágrimas. Ele anda até o banheiro. "Não sei o que te dizer. Olha, tem umas coisas suas por aqui ainda, eu acho que você podia pegar elas devolta. O Paulo não vai estar aqui amanhã, se você quiser pode passar."Ele continua até o banheiro. Seus olhos buscam a gilete sobre a pia. Olavo levanta a gilete calmamente. Ele passa o creme de barbear sobre o rosto, alinha toda sua barba. Penteia o cabelo. joga a lâmina velha na lata do lixo e seca seu rosto, olhos agora mais vermelho do choro leve. "Sua mãe, ela me ligou. Por que não vai visitá-la? Ia ser bom pra você --".

Pega a jaqueta, suas coisas que estavam no banheiro, vai lentamente até sua cama, senta-se sobre ela, pega em seu criado mudo uma foto. Uma mulher está ao seu lado, a lateral da foto está queimada. Ele retira de seu bolso um zippo, acende e queima a foto que ele deixa, em chamas, sobre o criado mudo. Lentamente ele coloca a mão por debaixo da jaqueta, respira fundo. A outra mão sobe à seu peito e ele aperta forte... a segunda mão, num movimento rápido, vai até sua cabeça com a nove milímetros em punho, armada, e cola-a por debaixo de seu queixo. Ele olha para o fogo, pisca, e a secretária anuncia, "Fim das mensagens."

2 comments:

Anonymous said...

nuss ...q criativo ..vc hien !?
gostei ..da estoria ..tem todo seu suspense ...para do nada terminar como ..uma voz ...da secretaria eletronica ..legal ..curti !!bjaum

Anonymous said...

Pqp precisa fala ainda...
mew tah mto foda...
mto mesmo...!!!

a descrição, tudo, faz viajar demais, m,e senti na cena do acontecido...mew foi dimais...!!

PARABENS brantão...sinceramente...!!

tah dimais...!!

saudades de vc queridooow!"!!

Bjãoi...
ateh o fds ;P