Uma das coisas que eu demorei para perceber (e pra falar a verdade, só me ocorreu agora) é que o que eu odeio mais não sou eu mesmo, mas a vida que eu levo. E no entanto, ambas estão ligadas.
É óbvio que a vida que levo é fruto da pessoa que sou. Eu escolhi este curso de ações. Por minha causa, ou por alguma ação ou por falta da mesma, eu estou nesta Faculdade, nesta ap(e)artamento. Por ação ou falta de ação eu brigo com minha mãe, não entrego trabalhos, não consigo manter uma mulher por mais de algumas semanas.
E outro defeito se mostra. A culpa é ou não é minha? Se é, então me é permitido errar? Não. Não, errar nessas coisas é fatal. Tem sido fatal, ou eu não estaria falando com um monte de bits e eletróns e silício.
Eu sou quem sou, mas eu odeio esse quem. Eu queria ser outro. E esse é meu grande problema, não quem sou, mas quem quero ser. O querer machuca. Eu queria estar em outro lugar, com outra pessoa. E se estivesse, gostaria de estar em ainda outro lugar, com outra pessoa. E esse último ia querer estar sózinho, no quarto, conversando com o computador.
Entre todos os meus alteregos, não há um que seja feliz. Todos eles tem àquilo que este deseja, e alguns até mesmo o que outro ego deseja. Mas nenhum é feliz, porque sou incapaz de racionalizar a felicidade. Para que iria desejar aquilo que não entendo, que não conheço?
Não mais censurado por insistências alheias.
Friday, August 20, 2004
Inner Thoughts II
Por
Bruno Brant
às
11:35 PM
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Pessoal