Tuesday, November 01, 2005

Touched...

Que eu tenha que aturar certas loucuras minhas, tudo bem. Que eu tenha que sobreviver a este vessel inútil, raquítico e desforme, ótimo. Mas tem certas coisas que ultrapassam o limite da razão.

Todos nos sentimos assim, correto? Não consigo entender por que o ser humano é tão diferente dos outros animais. Sim, já vi meu cachorro depressivo. Já vi um gato "surtar". Mas nunca, em toda minha vida, consegui imaginar um ser que fosse tão vúlneravel. Vúlneravel a ele próprio. Seres humanos são paradoxais.

E toda minha revolta de hoje? Bem, com tudo que andei passando, a última coisa que eu esperava era que até um CD meu fosse amaldiçoado. Sim, eu aturei minha depressão, eu aturei as loucuras a minha volta, eu aturei as barreiras da realidade. Mas agora, quando eu percebi que relacionei o pior momento da minha vida à um dos meus CDs favoritos e que não posso mais ouvi-lo sem retornar a estado em que estava, eu digo, ao Inferno com esta realidade! Nem mesmo música, a única coisa que nos torna dignos do Paraíso, pode mais me salvar. Eu condenei aquilo que mais amo por que sou burro.

***

Renuncio aqui a felicidade. Ela nunca me encontrou, apenas por alguns segundos que parecem agora fragmentos de um sonho numa noite chuvosa. Como uma droga, ela me assola. Aquela dose, aquele fix, aquilo me levou ao êxtase absoluto. E no instante seguinte, o frio concreto deste mundo caiu sobre minha cabeça. E agora meu corpo deseja mais desta droga felicidade, mais do que deseja oxigênio ou água. Renuncio-a, pois não tenho cacife para sustendar meu vicío. Fujo para a clínica de desintoxicação chamada isolamento. E não espero visitas, pois estas são traficantes daquilo que não posso mais comprar.

HS, puxando o plug da realidade.